sábado, 7 de janeiro de 2017

BITCOIN NO BRASIL

   Em terras tupiniquins, o Bitcoin ainda é vista com bastante desconfiança. Já existem sites especializados, escritos em português, que evangelizam sobre a moeda virtual, mas são poucos os estabelecimentos e serviços nacionais que aceitam Bitcoins como forma de pagamento.
   Com a ajuda de Daniel Fraga, do site Loja Bitcoin, e do site Mercado Bitcoin, conseguimos elencar apenas seis estabelecimentos: o bar e bicicletaria Las Magrelas; a loja de componentes Webtrônico; a pousada Kyrios, que fica na praia de Maresias, em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo; a loja virtual de bebidas Terras Brasilis; a agência de aluguel de apartamentos Copa Apartments, no Rio de Janeiro; e um centro de práticas budistas, o Pedra Negra das Bromélias, na região serrana do Espírito Santo. Se você souber de mais algum, avise nos comentários que incluímos aqui.
     O responsável pelo Las Magrelas esclarece que aceitam Bitcoins para “basicamente tudo”, e que fazem o câmbio entre Real e Bitcoin de acordo com o valor do dia da “bolsa de valores” Bitcoin – um dos sites mais usados para essa referência é o MT Gox. O Terras Brasilis também faz uso da mesma prática – no dia 11 de setembro, uma garrafa de Whisky Johnnie Walker Red Label, por exemplo, poderia ser adquirida por 0,21 BTC.

bitwallet
  Com tão poucos estabelecimentos aceitando a nova moeda virtual para pagamentos, essa pode ser uma ótima opção de marketing. O responsável pelo Terras Brasilis revelou que quase 20% de todas as vendas do site já são feitas em Bitcoins.

             Contradição ou excesso de controle?

   Quem dera a preocupação dos governos fosse a de garantir a segurança financeira da Bitcoin. Se o medo fosse o roubo das suas preciosas Bitcoins, o próprio sistema trataria de lhe prover ao menos o alívio de saber que o ladrão não conseguiria fazer muita coisa com o produto do furto, já que é praticamente impossível lavar grandes quantidades de Bitcoins roubadas.
    Toda transação feita via Bitcoins é pública. Ao acompanhar um arquivo público chamado Blockchain, é possível saber, hipoteticamente, que a Carteira de Bitcoins X fez uma transferência para a Carteira de Bitcoins Y, tornando possível rastrear onde estão as Bitcoins roubadas, mas sem saber quem é o proprietário delas. Contudo, se o espertalhão tentar tirar as Bitcoins daquele ambiente e transformá-la em dinheiro do mundo real, vai precisar fazer um cadastro, e é exatamente nesse momento em que ele é pego.
   Lavar pequenas quantidades de Bitcoins roubadas é até possível, mas quem quiser mover milhões de dólares através da rede terá problemas, admitiu Sarah Meikelejohn, graduanda da Universidade da Califórnia que é co-autora de um estudo sobre o assunto, como se quisesse esclarecer que a rede de Bitcoins não seria exatamente um bom lugar para Walter White esconder sua fortuna ilegal. Uma reportagem da Wired destaca que qualquer criminoso que queira converter uma grande quantidade de dinheiro em Bitcoins teria que, em algum momento, fazer uso das casas de câmbio de Bitcoins, e estas têm se esforçado bastante para funcionar dentro da legislação federal norte-americana, que impede práticas que possam ser usadas na lavagem de dinheiro ilegal.
   Ainda assim, por não haver para quem reclamar em caso de transações de Bitcoins mal sucedidas, os proprietários da moeda virtual estão sujeitos a roubos. Em abril de 2012, o site Betcoin perdeu 3.171 Bitcoins ao sofrer uma invasão hacker, o equivalente a cerca de 450 mil dólares, valor que ainda não conseguiu reaver (e nem espera que isso aconteça). No entanto, o ciberladrão vai ter problemas ao tentar lavar as Bitcoins roubados da Betcoin: serviços que se propõem a fazer esse serviço, como o Bitcoin Laundry ou o Bitmix, no geral não fazem o que prometem ou, pior, roubam as bitcoins que deveriam ser lavadas. Ou seja, ladrão que rouba ladrão… 100 anos de perdão, ou a eternidade com Bitcoins marcadas como ilegais.

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